Análise XBOX: Half-Life 2

Written by Detonados on December 10, 2008 – 12:57 pm


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Confira a análise desse jogaço do XBOX.

Guerra dos mundos

Em termos de enredo e mecânica, a aventura é exatamente igual ao dos computadores e, por isso, quem já jogou no PC não tem motivos para fazê-lo de novo, a não ser que tenha curiosidade em saber as diferenças entre ambas as versões. E o game para Xbox não traz certos bônus do PC, como “Counter-Strike: Source” e “Half-Life: Source” – o subtítulo se refere ao mecanismo gráfico, o chamado engine, usado no jogo, que permite o visual espetacular.

“Half-Life 2″ começa com o protagonista Gordon Freeman à bordo de um trem com destino a City 17. Nesta época, a humanidade foi subjugada por alienígenas e os humanos são tratados como gado. Porém, logo Freeman é cooptado por um grupo rebelde e passará a lutar contra os invasores.

O roteiro da série “Half-Life” é um dos melhores de que se tem notícia, mas não espere encontrar um desfecho neste segundo episódio. Em termos de narrativa, este capítulo parece mais uma ponte para os games que ainda virão pela frente. No PC, existe a expansão “Aftermath”, que conta mais um pouco da trama da franquia.

Depois que o jogador passa a ter controle de Freeman, poderá imaginar que seja mais um jogo de tiro em primeira pessoa com visual muito caprichado. Mas, se comparado ao original, a versão de Xbox tem todas aquelas limitações que se acostumou a ver em “Far Cry” e “Doom 3″: menor resolução, cenários e personagens mais simples e texturas bem menos definidas. Mas, nem por isso deixa de ter um dos melhores gráficos do Xbox.

O usuário também perceberá que toda a complexidade gráfica – e também as partes invisíveis, a famosa simulação de física Havok – cobra seu preço, tirando a suavidade dos movimentos da tela. Na maioria das vezes, a velocidade é aceitável, mas em algumas situações os travamentos ficam catastróficos, apesar de o ritmo voltar ao normal em pouco tempo.

Um dos pontos mais marcantes de “Half-Life 2″ é seu poder de imersão, que resulta numa das mais marcantes experiências de jogo. Ao andar pelas ruas de City 17, realmente parece que o mundo reage à sua presença. Você ouve outras pessoas conversando ao seu redor e ao se aproximar de alguém, ele (ou ela) olha para seu personagem, com um ar de “o que você quer?”.

A Valve usa mais alguns truques de narrativa para o jogador ficar preso ao personagem, como nunca sair da visão em primeira pessoa – até as cenas não-interativas se passam sob o olhar de Freeman -, e não se manisfestar oralmente. Sendo assim, os personagens coadjuvantes conduzem suas falas como se fossem monólogos. Assim, a história avança sem o protagonista se manifestar, sob o risco de contrariar o jogador.

Física para que te quero

Outra grande característica do game é a apurada simulação de física. Isto é, todos os personagens e a grande parte dos objetos reagem como se estivessem sob influência da gravidade e outras forças naturais. Isso pode ser visto, por exemplo, quando se tentar colocar uma tábua em pé, por exemplo. Ela invariavelmente cairá para um dos lados.

Assim, todos os objetos reagirão de forma realista aos estímulos: um barril deitado, por exemplo, poderá rolar se empurrado, mas um caixote não terá esse comportamento. A lógica física também será válida na hora de empilhar objetos e, além disso, muitos objetos também podem ser destruídos, apesar de os destroços ficarem simplificados.

Quer dizer, a programação de física foi transportada da versão de PC sem perdas aparentes. Uma explosão, por exemplo, faz com que todos os objetos em volta reajam de acordo, apesar de, nesses casos, ocorrerem travamentos com mais freqüência. A tecnologia gráfica também ajuda a criar animações realistas. Os inimigos reagem de formas diferentes dependendo de onde o tiro os atingiu e as quedas são diferentes entre si.

A física está presente na água: cada um dos objetos imersos tem diferentes fatores de flutuação. E claro, essa característica e o peso dos materiais são usados em alguns quebra-cabeças, que sempre estão dentro do contexto. Num dos primeiros enigmas do game, por exemplo, o jogador precisará colocar blocos na ponta de uma gangorra, para criar um acesso a um local mais alto.

Mas é com a arma antigravitacional que o sistema de física mostra todo seu potencial. E a apresentação dessa arma é um dos momentos mais memoráveis dos videogames. Porém, essa programação também pode gerar efeitos indesejados, como deixá-lo preso em certos lugares. É raro de acontecer, mas se for o caso, a única solução será voltar para o último “save”.

Muitas armas, mas poucas balas

Mas todos esses detalhes estão a serviço da essência de “Half-Life 2″, um jogo de tiro em primeira pessoa. E como tal, o título se mostra um dos melhores do gênero, com combates alucinantes e inimigos muito inspirados, ainda que pareçam um pouco clichês hoje em dia.

A produtora Valve percebeu que não era possível ter a mesma precisão do mouse e teclado no controle do Xbox, então resolveu facilitar um pouco. Na versão para Xbox, o retículo de mira é consideravelmente maior, exigindo menos precisão para acertar os inimigos.

Todos os armamentos podem ser escolhidos por uma das setas do direcional digital, sendo que cada grupo de armas está localizado em uma direção. Por exemplo, colocando para baixo, acionam-se armas brancas, tendo o famoso pé-de-cabra como o primeiro da lista; já à direita estão as armas longas, como a metralhadora. Com um pouco de treino fica fácil e intuitivo escolher o equipamento desejado.

Os combates são muito divertidos, mas, em geral são fáceis. Além de a mira ser menos exigente, as armas são muito poderosas – apesar de a munição não ser muito farta – e a inteligência artificial dos inimigos é muito afoita. Os oponentes até demonstram algum senso de estratégia, como se proteger atrás de obstáculos e atacar de várias maneiras, mas uma hora acabam adotando uma atitude mais “kamikaze” e avançam de forma inconseqüente, só para ser “peneirado” sem dó.

Mas nem todas as missões serão realizadas a pé. Consideráveis porções serão feitas com veículos como buggy ou hovercraft, quepossuem armas e, nesse caso, a mira é ainda mais prática. Basta mirar perto do inimigo para que o retículo fique travado nele. Totalmente mamão com açúcar. Mas, em compensação, os oponentes também usam de máquinas pesadas com helicópteros e artilharias para tentar pôr fim ao destino de Freeman.

A longa jornada de Freeman

Um dos aspectos mais marcantes é o fato de aventura ser toda integrada: do começo ao fim, todos os cenários estão conectados num grande caminho linear. Não há uma divisão de fases em “Half-Life 2″. Todos os ambientes parecem verossímeis, desde a estação de trem de City 17 até o final do game. A variedade de cenários é incrível, com um grau de detalhes fantástico. Um deles faz uma homenagem e tanto para jogos e filmes sobre zumbis.

Em todas as partes há uma quantidade grande de objetos interativos, além de o trabalho artístico ser magnífico. É muito raro um cenário de “Half-Life 2″ se repetir. Na maioria das vezes, os ambientes são fechados de forma elegante, como um monte de detritos ou cercas altas, mas de vez em quando aparecem misteriosas paredes que parecem escudos de força, totalmente fora do contexto – mas isso apenas em alguns lugares.

O caminho é linear, mas existem algumas rotas alternativas para explorar, que conferem itens extras de munição e energia. Muitas vezes, estão marcadas com o símbolo característico do game. O ritmo da ação seria impecável se não houvessem paradas para carregar o game. Elas não são tão freqüentes, estão mais rápidas que no PC e incomodam por quebrar o ritmo, algo totalmente compreensível diante da complexidade dos cenários.

Como dito, o visual do título é magnífico, um dos melhores do console, com uma soberba realização técnica e artística, principalmente nos cenários. Os inimigos, infelizmente, perderam muito de seus detalhes com uma modelagem mais simples e menor resolução. Mas o mesmo não pode ser dito dos personagens principais, ainda mais nas cenas não-interativas, com uma definição assombrosa. E, ainda por cima, têm as expressões faciais mais incríveis já vistas num videogame.

A parte sonora também acompanha, ainda que com menos entusiasmo, a qualidade dos gráficos. A trilha sonora é apenas incidental, isto é, aparece apenas em determinadas situações, mas sempre tenta somar para dar mais emoção às cenas. Os efeitos sonoros têm qualidade condizente com uma obra desse porte, mas alguns barulhos não parecem combinar com o que se vê na tela, como um buggy que soa ter um motor de alta potência. Em compensação, as dublagens são simplesmente impecáveis.

Campeão também no Xbox

“Half-Life 2″ é mais uma conversão quase heróica. Mesmo com um hardware limitado, conseguiu transpor a essência do original. Sim, os gráficos tiveram que ser adaptados e ainda assim continuam sendo um dos melhores do Xbox, mas a produtora não abriu mão da famosa programação de física. Isso trouxe alguns problemas de desempenho, mas é totalmente compreensível e, na maior parte do tempo, não chega a atrapalhar a experiência.

Se você não tem um PC no mínimo razoável, vale a pena curtir as aventuras de Gordon Freeman no Xbox. Trata-se de um dos melhores jogos de tiro em primeira pessoa de todos os tempos, com altas doses de adrenalina e uma fantástica história. Apenas se lamenta a falta dos bônus do PC, principalmente o de “Counter-Strike: Source”, visto que o Xbox tem uma rede online muito bem estruturada e tinha tudo para ser tão popular quanto “Halo 2″.

Fonte: Site UOL

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